Textos Sistêmicos

“Constelação Familiar não é mágica. É uma chance de ver e aceitar o nosso lugar e nosso papel no nosso sistema familiar. Com a postura certa, nos auxilia a assumir a responsabilidade que nos pertence e assim tomar as atitudes necessárias para caminhar adiante”.

Bert Hellinger

 

Carta de Bert Hellinger à sua mãe:

“Querida Mãe,

você é uma mulher comum, assim como milhares de outras mulheres. Amo você assim, como mulher comum. Como mulher comum você encontrou o meu pai. Ele também é comum. Vocês se amaram e decidiram passar a vida inteira juntos. Casaram-se, isto também é comum, e se amaram como homem e mulher, profundamente. Fui gerado através desse amor profundo. Sou um fruto do amor de vocês. Vivo, pois vocês se amaram – muito comum.
Esperaram por mim durante nove meses, com esperança e aflições, perguntando-se se as coisas caminhariam bem para vocês e para mim.
Sim, querida mamãe, então você me pariu com dores e tormentos. Assim como outras mães têm os seus filhos. Então, eu estava aqui.
Vocês olharam para mim e se olharam. Estranharam: este é o nosso filho? E disseram sim para mim. Sim, você é o nosso filho e nós somos seus pais. Tomamos você como o nosso filho. Então me deram um nome através do qual me chamam, deram-me o seu nome e disseram a todos: este é o nosso filho, pertence a nós.
Vocês me nutriram, educaram e cuidaram de mim durante muitos anos. Sempre pensaram em mim. Preocupavam-se e se questionavam sobre as minhas necessidades. Deram-me muito.
Os outros, assim como eu, também, às vezes, diziam que vocês tinham falhas, que não eram perfeitos e que deveriam ter sido diferentes. Mas assim, da forma que vocês foram, foram certos para mim. Somente por terem sido da forma que foram, tornei-me quem sou. Para mim, tudo estava certo. Eu lhe agradeço, querida mãe, eu lhe agradeço, querido pai.”
Agora, o mais importante: “Liberto você, querida mãe, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de uma mulher comum. Recebi suficientemente e já basta. Obrigado. Libero você, querido pai, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de um homem comum. Eu lhe agradeço.”

Bert Hellinger

 
Vó mãe eu“Tua mãe já nasceu
Com todos os óvulos
Inclusive com aquele
Que é a metade De você
Tua avó já nasceu
Com todos os óvulos
Inclusive com aquele
Que é a metade De sua mãe
Isso significa, que a tua ligação
Com a primeira mulher da humanidade
É direta
Cada par de mãe e filha
Compartilham um tempo
Movimentadas pela Vida
Compartilham juntas
E nessa corrente onde os elos
São tempos vividos em pares
Nós recebemos a dádiva
De estarmos vivos
Minha Mãe, Obrigado!
Por compartilhar comigo A Vida
É andando para a frente
Que eu lhe honro e retribuo.”

(Pedro Marlon Correa)


CERTO E ERRADO

“Gostaríamos de dividir o mundo em dois: um que possui o direito de existir e o outro que, embora exista e atue, não possui esse direito. O primeiro denominamos bom ou saudável, salvação ou paz. O outro denominamos mau ou doente, desgraça ou guerra, ou lhe damos qualquer outro nome. O fato é que chamamos de bom ou benéfico o que é leve para nós, e de mau ou maléfico o que nos é pesado. Contudo, se olharmos com atenção, vemos que a força que faz avançar o mundo baseia-se no que chamamos de pesado ou mau. O desafio para o que é novo provém do que gostaríamos de eliminar ou excluir.
Assim, quando nos esquivamos do que é pesado, pecaminoso ou agressivo, perdemos justamente aquilo que gostaríamos de conservar: nossa vida, nossa dignidade, nossa liberdade, nossa grandeza. Somente aquele que se defronta com as forças obscuras e as aceita, permanece em contato com as próprias raízes e com as fontes de sua força. Tais pessoas não são simplesmente boas ou más. Estão em sintonia com algo maior: sua profundidade”.

Bert Hellinger


DOIS TIPOS DE SABER

Um erudito perguntou a um sábio como as coisas individuais se transformam num todo e como se distingue o conhecimento de muitas coisas da abundância de conhecimento.

O sábio respondeu:

“O que está disperso se transforma num todo quando encontra um centro onde se recolhe e atua.

Pois só por meio de um centro o múltiplo se torna essencial e real.

Então sua plenitude nos parece simples, quase inexpressiva, como uma força tranquila que se aplica ao imediato e permanece subordinada e próxima ao que a sustenta.

Por isso, para sentir ou comunicar a plenitude, não preciso conhecer, dizer, ter, fazer todas as coisas individuais.

Para entrar numa cidade transpomos um único portão. Batendo uma vez num sino fazemos ressoar muitos outros tons.

E ao colher a maçã madura não perguntamos por sua origem: simplesmente a tomamos na mão e comemos.”

O erudito objetou que quem busca a verdade também deve conhecer todas as particularidades.

Mas o sábio o contestou, dizendo que só sabemos muito sobre verdades velhas.

A verdade que faz progredir é ousada e nova, pois oculta o seu fim como  a semente oculta a árvore.

Por isso, quem hesita em agir, querendo saber mais do que o necessário para o próximo passo, desperdiça o que realmente atua.

Ele toma a moeda pela mercadoria, e transforma árvores em lenha.

O erudito achou incompleta a resposta e pediu ao sábio que explicasse um pouco mais.

Mas ele recusou com um gesto, pois a plenitude começa como um barril de mosto, doce e turvo.

Precisa fermentar por bastante tempo até que se torne límpido.

Quem o bebe, em vez de somente prová-lo, fica logo bêbado.

Isso já é o suficiente sobre a diferença entre a psicoterapia científica e a psicoterapia fenomenológica.

Bert Hellinger – livro Paz e Conflito – p. 94


EXCLUSÃO

“Tudo aquilo de que me lamento ou queixo, quero excluir. Tudo aquilo a que aponto um dedo acusador, quero excluir. A toda a pessoa que desperte a minha dor, estou a exclui-la.

Cada situação em que me sinta culpado, estou a exclui-la. E desta forma vou ficando cada vez mais empobrecido.

O caminho inverso seria: a tudo de que me queixo, fito e digo: sim, assim aconteceu e integro-o em mim, com todo o desafio que para mim isso representa. E afirmo: irei fazer algo com o que me aconteceu. Seja o que for que me tenha acontecido, tomo-o como a uma fonte de força.

É surpreendente o efeito que se pode observar neste âmbito. Quando integro aquilo que antes tinha rejeitado, ou quando integro aquilo que é doloroso para mim, ou que produz sentimentos de culpa, ou o que quer que me leve a sentir que estou a ser tratado de forma injusta, o que quer que seja… quando tento incorporar tudo isso, nem tudo cabe em mim. Algo fica do lado de fora. Ao consentir plenamente, somente a força é internalizada. Tudo o resto fica de fora sem me contaminar. Ao invés, desinfecta, purifica-me. A escória fica de fora, as brasas penetram no coração.”

Bert Hellinger


1

PAIS DÃO,
FILHOS TOMAM

“Quando os pais olham para trás e vêem de onde provém a vda, de muito longe e se vêem nessa corrente, então são fortes perante as crianças, mas não no sentido de precisar algo ou querer fazer algo, mas se sentem ligados a essa corrente. Então, a criança pode tomar tudo dos pais mais facilmente, porque também se sentem ligados a uma corrente.”
(Bert Hellinger no livro ‘A fonte não precisa perguntar pelo caminho’)

“Os filhos adquirem segurança interior e sentido claro de identidade quando aceitam e reconhecem ambos os pais como são. Sentem-se incompletos e vazios quando excluem um deles, ou ambos, de seus corações. A consequência da exclusão ou desprezo de qualquer um dos pais é a mesma: os filhos se tornam passivos e se sentem inúteis. Eis uma causa bastante comum de depressão.“
(Bert Hellinger no livro ‘A simetria oculta do amor’)

“Essa primeira doação entre pais e filhos é diferente da doação e recebimento de presentes ou favores. Quando os filhos recebem dos pais a vida, tomam o que eles já haviam tomado antes de seus próprios pais. Em certo sentido, os filhos são os seus pais e avós. O amor floresce quando os filhos valorizam a vida que obtiveram — quando aceitam os pais como pais. Tudo o mais de que venham a necessitar para viver pode ser dado por outras pessoas, mas só os pais podem dar-lhes a vida.”
(Bert Hellinger no livro ‘ A simetria oculta do amor’)


3

O RESPEITO

“Um homem que não respeita o seu pai, que acredita, diante de sua mãe, ser melhor que o pai, não respeita as mulheres.
O homem aprende o respeito pela mulher com o pai, e a mulher aprende o respeito pelo marido com a mãe.
Então imaginem só quando o filhinho da mamãe e uma filhinha do papai se encontram e casam.
Não terão respeito um pelo outro. Por isso, primeiro, precisamos colocar em ordem a família de origem, de tal forma que o marido respeite o seu pai e a mulher, a sua mãe.
Muitos problemas de casal podem ser solucionados dessa forma simples.
O filhinho da mamãe não é confiável para a mulher, e a filhinha do papai não é confiável para o marido. Disseram- me que as filhinhas do pai são um pouco mais bonitas – mas isso não leva a nada.”

(Bert Hellinger – Amor a Segunda Vista)


2PARENTIFICAÇÃO

No livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho” Bert Hellinger fala um pouco sobre a parentificação, um movimento dos pais que buscam nos filhos algo que eles (os pais) desejariam ter recebido de seus próprios pais.

“Quando uma mãe, um pai ou ambos os pais se encontram na situação de pessoas que exigem algo que não receberam de seus pais, tendem a buscar uma forma de suprir essa necessidade de afeto no relacionamento homem e mulher ou então no relacionamento com filhos. Ambos são fórmulas fadadas à dor.

Porém, quando há a possibilidade desses pais olhar com honra para seus próprios pais, onde reconhecem o que foi possível receber e o que não foi possível receber, e que de antemão o mais importante foi repassado – a vida – há uma chance de que esses relacionamentos se liberem para sua verdadeira essência.

Assim, um homem procura uma mulher, e não uma mãe. A mulher procura um homem, e não um pai. Pais estão inteiros para prover aos filhos o afeto necessário para seu desenvolvimento, sem desejar algo em troca. Dessa forma, o fluxo saudável do desenvolvimento pode seguir adiante.

Johannes Kaup: Mas isso é extremamente difícil para algumas pessoas, porque possivelmente a mãe não reconhece que deva honrar a própria mãe. Não pode reconhecê-lo, principalmente, porque talvez tenha apanhado dela ou tenha sido menosprezada ou não aceita a própria feminilidade e, por assim dizer, a sua própria história de culpa se baseia numa história de uma culpa.

Bert Hellinger: O senhor reconduz a um relacionamento a dois. Não é um relacionamento a dois. Nem nas famílias nem nos casais existe um relacionamento a dois. São sempre relacionamentos entre sistemas. Se permaneço fixado no relacionamento a dois, não há solução.

Quando duas pessoas se relacionam, elas levam para o relacionamento todas as dinâmicas, conceitos, moral, etc do que compõe seu sistema familiar, inclusive relacionamentos anteriores. Elas não chegam “vazias” para se relacionar. Muito pelo contrário: estão ligadas de forma profunda àquilo tudo que se manifesta na sua rede familiar e vínculos passados. Por isso, considerar que um relacionamento aconteça somente “a dois” é estreitar a visão de tudo que atua verdadeiramente nessa relação. ”

 


RELAÇÃO COM A MÃE

“Nossa relação com nossa mãe continua em nossas relações com outras pessoas. Principalmente em relação com o nosso parceiro e com os nossos filhos. Ela também continua em nosso trabalho e em nossa profissão.
Se, na relação com a nossa mãe, tiver ocorrido um evento que nos tenha separado dela, mesmo que por um curto tempo, permanece uma dor que nos aflige por toda a vida. Ela nos aflige nas relações com outras pessoas e nas expectativas que temos com relação a elas.”

(Bert Hellinger – A CURA – Ed Atman)


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