Textos Sistêmicos

“Constelação Familiar não é mágica. É uma chance de ver e aceitar o nosso lugar e nosso papel no nosso sistema familiar. Com a postura certa, nos auxilia a assumir a responsabilidade que nos pertence e assim tomar as atitudes necessárias para caminhar adiante”.

Bert Hellinger

 

A constelação não faz o trabalho sozinha; o trabalho, quem faz, é cada pessoa com a sua receptividade, atenção à si mesma e seu compromisso de levar à sério a sua vida.
É, na verdade, não existe outro trabalho senão àquele processo que a constelação desencadeia.
Não existe outra coisa à mais do que o processo de se auto acompanhar, ter em conta os vínculos que são importantes e orientar-se da maneira mais sábia que for possível para que ninguém sofra e para que a pessoa possa estar melhor.
Não há outra opção mais do que auto responsabilizar-se pela gestão de nossa vida e de nossos vínculos e de fazê-lo com a nossa própria força”.
(Joan Garriga)


A Alma como Campos de Ressonância

“Não considero a Alma pessoal ou individual.
Não é algo de nossa propriedade nem atributo de identidade.
Trata-se de um campo de ressonâncias em que tudo e todos estão conectados entre si.
O que importa é a rede e suas sinapses, não os membros estritamente: nem Pedro, nem Maria, nem Luís, mas um universo que conecta e nos conecta independentemente de nossa identidade pessoal.
Na Alma desfazer-se um pouco os limites de nosso eu para confirmar nossa participação em algo maior.
É como uma grande sinapse com todos os demais seres viventes e com todo o universo percebido e pensado.
Nela, desvanece-se por completo a solidão do eu.
O que existe além do eu?
O tu, o nós, o grupo, a família, a tribo, a cidade, o país, o planeta, o espírito.
Quer dizer tudo que transcende o pessoal.
Nesse sentido, não estamos separados da Alma, senão inevitavelmente imersos nela.
Ressoamos com todos os seus campos, quer seja o(a) companheiro(a), a família, as amizades, a profissão, a organização, os grupos aos quais pertencemos, a comunidade ou o país.”

(Joan Garriga – Viver na Alma)


Amor, significa:
“Você é você, eu sou eu. Você tem o seu destino, eu tenho o meu.
Permaneço sempre unido a você no amor, embora meu destino seja diferente do seu. 
Seja amável se me afasto do seu destino, da sua necessidade, da sua culpa, para viver minha própria vida.
Estou ao seu lado e ao lado de nossa família, com tudo o que aconteceu.
O que aconteceu, da forma como aconteceu está certo para mim.
Você está certo para mim, da forma como você é.
Por favor, seja também compreensivo se eu sou como sou.
Você tem agora um lugar em meu coração.
Não o julgo, respeito-o, inclino-me diante do que não pode ser mudado para você e para mim”.
(Jakob Schneider)
O amor é, em primeiro e em último lugar, uma necessidade. O amor humano é, no sentido mais profundo, uma necessidade de proximidade, conexão e segurança junto com outros seres humanos. É uma necessidade de troca com eles, por meio de um dar e receber onde crescemos nós e os outros.
(Bert Hellinger – Pensamentos a caminho, pg. 127)

A BÊNÇÃO

A bênção é um bom desejo.
A bênção só pode vir dos pais ou dos avós. Vem somente dos que nasceram antes. Naturalmente, a palavra “bênção” tem também um significado religioso. Talvez possa ser visto assim. A vida é algo que os próprios pais receberam e passaram para seus filhos.
Uma bênção é sempre um dar a vida, vai na mesma direção de dar a vida. Por isso, compete aos pais dar uma bênção. Mas não é a sua bênção pessoal. É a bênção dentro do grande movimento da vida, que vem de bem longe e segue fluindo através dos pais. Os pais estão nesse movimento e o passam adiante para os filhos.

Bert Hellinger


A arte da ajuda – Conferência de Bert Hellinger

Tradução para o português por René Schubert.

Vídeo em Inglês com tradução simultânea em Espanhol.

“Bert Hellinger: Bom dia! Nós podemos começar com o trabalho. E de início gostaria de dizer algo sobre as Ordens da Ajuda. Ou talvez, melhor dizendo, a arte da ajuda. Agora todas as pessoas na verdade são capazes de ajudar outras pessoas. Você pode perceber isto quando nós nos perdemos em nosso caminho, e perguntamos “Qual a rua correta?”, as pessoas se disponibilizam imediatamente para dizer-lhe. As pessoas gostam de ajudar. E quando alguém está em uma verdadeira necessidade e pede ajuda. Nós gostamos de ajudar. Tanto quanto nos é possível. Agora a maior ajuda de todas, é claro, a de nossos pais. Pais querem ajudar seus filhos. E filhos, como regra, podem confiar totalmente à ajuda de seus pais. Quando ajudamos a outros. Nos sentimos bem. Se ninguém precisa de nossa ajuda. Nos sentimos solitários. Ajuda mutua nos conecta. Isto é a ajuda no dia a dia. Agora quando quisermos ajudar de maneira profissional. Devemos nos portar de outra maneira. E aqueles que não são profissionais, podem aprender muito, se souberem acerca da boa ajuda profissional. A boa ajuda pressupõe que você respeita a pessoa a qual deseja ajudar. E muito frequentemente, quando você tem uma necessidade, e você a expressa, e as pessoas correm para lhe ajudar, você sente-se incomodado, muito frequentemente. Pois elas não estão lhe ajudando. Estão intrometendo-se (sentimento de intrusão). O propósito principal não é ajudar a você, mas sim estão ajudando a si próprios. Eles regozijam-se em ajudar. E usam você para satisfação própria. Havia um santo famoso na França, seu nome era Vincent. Ele fundou muitos institutos para ajudar pessoas pobres. E um dia contou a um amigo: “se te desejam ajudar, tome cuidado!”. Vocês podem observar isto. Se uma pessoa está muito doente, próxima de morrer. As pessoas se preocupam acerca de tal pessoa. E esta pessoa moribunda, deve tomar cuidado com esta preocupação dos outros acerca dela. Eles ajudam porque não podem encarar/enfrentar sua doença e sua morte próxima. Eles encobrem seu medo da morte, por meio da ajuda. Muitos ajudantes profissionais ajudam demais. De uma certa forma, muitos ajudantes se comportam como se pudessem mudar o destino da pessoa. E desta maneira eles se comportam como crianças. Crianças, crianças pequenas especialmente, querem fazer todo possível, para salvar sua mamãe ou seu papai. Nós podemos ver isto nas Constelações Familiares. Eles querem tomar o destino da mamãe ou do papai, para si. E as vezes dizem: “melhor eu adoecer do que você, querida mamãe!”. Ou as vezes dizem: ” É melhor que eu morra, que você minha querida mamãe!”. Mas todas estas tentativas de salvar aos pais, fracassa. E isto é uma experiência muito sofrida. Mas eles não desistem. Quando estão adultos, querem ajudar outras pessoas, assim como queriam ajudar seus pais quando eram crianças. Então saem a procura de pessoas que precisam de sua ajuda. Então fazem como crianças. Estabelecem uma relação muito estranha entre ajudador e ajudado. Se você olha para isto, qual destes dois, ajudador ou o cliente, está no comando? Quem se comporta como uma criança? E quem precisa se comportar como um papai ou uma mamãe? O ajudador se comporta como uma criança. E esta relação, esta relação terapêutica, irá fracassar. A ineficácia desta relação terapêutica pode ser percebida quando verificamos quanto tempo este trabalho levou. Algumas pessoas vão a terapia por treze anos e qual é o resultado? Elas desperdiçaram sua vida. Ajudar desta maneira é irresponsável. Por isto para poder ajudar a primeira coisa que devemos fazer é abrir mão de ajudar aos nossos pais. Nós olhamos para nosso pai e nossa mãe, e dizemos: “Vocês são grandes e eu sou pequen(a)o. Honro vocês como grandes. E eu permaneço sendo criança / pequeno(a)”. Desta maneira a criança pode separar-se de seus pais e quando crescer e tiver que ajudar outras pessoas, não precisará mais se comportar como uma criança. E o ajudador diz ao cliente: “Você é grande, e eu sou pequeno(a)”. Ele pode dizer isto, olhando não apenas ao cliente, mas também para além deste, para seus pais e os respeitar. Agora se falarmos das Ordens do Amor, podemos perceber que há certa hierarquia no sistema. No sistema familiar os pais vêm primeiro, e as crianças vem depois. Porque os pais vieram primeiro e as crianças vieram posteriormente. Há uma hierarquia de acordo com o tempo de entrada no sistema. Se um cliente nos procura e pede ajuda, nós entramos neste sistema. O terapeuta e ajudador torna-se parte deste sistema. Agora se olharmos para este sistema de acordo com as Ordens do Amor. Quem vem primeiro? Os pais, é claro! E quem vem depois? O cliente! E quem vêm por último? O ajudador. Agora muitos ajudadores se comportam de maneira oposta, eles acham que eles são maiores, são os grandes. Se portam de maneira superior. E em sua ordem dizem que eles, como ajudadores vem primeiro, depois o cliente, e em último lugar, vem os pais do cliente. Assim todo o sistema vira de ponta cabeça. Esta ajuda vai fracassar. Muito do aprendizado que fazemos aqui consiste em perceber quando pegamos o lugar errado, equivocado, quando queremos ajudar. E ajudar no lugar onde temos maior força para ajudar.”

Link: A arte da Ajuda – Ordens da Ajuda – Bert Hellinger. Disponibilizado em 2017 – Tradução livre do inglês para o português por René Schubert – http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2017/01/a-arte-da-ajuda-ordens-da-ajuda-bert.html

Bert Hellinger – As Ordens da Ajuda. Editora Atman, Pato de Minas, 2005.

Publicado também em: https://www.movimentosistemico.com/post/the-art-of-helping-confer%C3%AAncia-de-bert-hellinger


A paz começa onde cada um de nós pode ser da forma que é. Onde cada um de nós permite ao outro ser tal como é e ficar onde está.

Bert Hellinger


Carta de Bert Hellinger à sua mãe:

“Querida Mãe,

você é uma mulher comum, assim como milhares de outras mulheres. Amo você assim, como mulher comum. Como mulher comum você encontrou o meu pai. Ele também é comum. Vocês se amaram e decidiram passar a vida inteira juntos. Casaram-se, isto também é comum, e se amaram como homem e mulher, profundamente. Fui gerado através desse amor profundo. Sou um fruto do amor de vocês. Vivo, pois vocês se amaram – muito comum.
Esperaram por mim durante nove meses, com esperança e aflições, perguntando-se se as coisas caminhariam bem para vocês e para mim.
Sim, querida mamãe, então você me pariu com dores e tormentos. Assim como outras mães têm os seus filhos. Então, eu estava aqui.
Vocês olharam para mim e se olharam. Estranharam: este é o nosso filho? E disseram sim para mim. Sim, você é o nosso filho e nós somos seus pais. Tomamos você como o nosso filho. Então me deram um nome através do qual me chamam, deram-me o seu nome e disseram a todos: este é o nosso filho, pertence a nós.
Vocês me nutriram, educaram e cuidaram de mim durante muitos anos. Sempre pensaram em mim. Preocupavam-se e se questionavam sobre as minhas necessidades. Deram-me muito.
Os outros, assim como eu, também, às vezes, diziam que vocês tinham falhas, que não eram perfeitos e que deveriam ter sido diferentes. Mas assim, da forma que vocês foram, foram certos para mim. Somente por terem sido da forma que foram, tornei-me quem sou. Para mim, tudo estava certo. Eu lhe agradeço, querida mãe, eu lhe agradeço, querido pai.”
Agora, o mais importante: “Liberto você, querida mãe, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de uma mulher comum. Recebi suficientemente e já basta. Obrigado. Libero você, querido pai, de todas as minhas expectativas e exigências que superam o que se pode esperar de um homem comum. Eu lhe agradeço.”

Bert Hellinger

 


Vó mãe eu“Tua mãe já nasceu
Com todos os óvulos
Inclusive com aquele
Que é a metade De você
Tua avó já nasceu
Com todos os óvulos
Inclusive com aquele
Que é a metade De sua mãe
Isso significa, que a tua ligação
Com a primeira mulher da humanidade
É direta
Cada par de mãe e filha
Compartilham um tempo
Movimentadas pela Vida
Compartilham juntas
E nessa corrente onde os elos
São tempos vividos em pares
Nós recebemos a dádiva
De estarmos vivos
Minha Mãe, Obrigado!
Por compartilhar comigo A Vida
É andando para a frente
Que eu lhe honro e retribuo.”

(Pedro Marlon Correa)

VOCÊ QUER SABER DE SUA AVÓ MATERNA?

Esta senhora é muito importante para você.
Por quê?
Uma vez que é essencial na transferência de informação e programas de genética. Acontece que, quando ela estava grávida de sua mãe, o feto já tem os ovócitos formados.
E esses ovócitos, eles vão deixar os 400 óvulos que terão sua mãe durante sua vida reprodutiva. Um desses óvulos, tomará o seu nome.
Portanto, este óvulo carrega informação da avó.
Quais as informações que você quer dizer?

Por tudo o que a avó viveu, sentiu e como ela viveu. Se era o momento adequado para ter filhos, se desejava a gravidez, se ela estava protegida por seu marido, quais foram seus amores, conflitos de identidade, etc.
Quais as necessidades biológicas não tinha coberta tua avó durante a gravidez de tua mãe?
Tudo isto e muito mais é a informação que está impressa em todas as células do feto. Então você pega da avó informações de quando ela estava grávida de sua mãe.

Você já ouviu falar que a genética às vezes pula uma geração?
Pois é exatamente isso.
Do óvulo que foi gerada levas informação da avó materna.
Mas, porque da avó e não do avô?
Porque a avó coloca o óvulo e o espermatozóide, o avô. E o óvulo contém parte da informação genética mitocondrial, que está na membrana da célula.
Enquanto no avô, a informação mitocondrial está na cauda do espermatozóide, no momento da fecundação, a cauda é deixada de fora.
Na mitocôndria é onde está registrada a a memória dos programas que se herdam.

Foi uma grande descoberta. Ao tornar-me consciente da vida dela, muitos dos meus medos eram medos delas. E compreendi sua vida, honrando, eu podia sentir “magicamente” livre de muitas coisas que estavam me impedindo de avançar, era como uma energia estagnada que não fluía.
E você, o que você sabe sobre sua avó materna?


CERTO E ERRADO

“Gostaríamos de dividir o mundo em dois: um que possui o direito de existir e o outro que, embora exista e atue, não possui esse direito. O primeiro denominamos bom ou saudável, salvação ou paz. O outro denominamos mau ou doente, desgraça ou guerra, ou lhe damos qualquer outro nome. O fato é que chamamos de bom ou benéfico o que é leve para nós, e de mau ou maléfico o que nos é pesado. Contudo, se olharmos com atenção, vemos que a força que faz avançar o mundo baseia-se no que chamamos de pesado ou mau. O desafio para o que é novo provém do que gostaríamos de eliminar ou excluir.
Assim, quando nos esquivamos do que é pesado, pecaminoso ou agressivo, perdemos justamente aquilo que gostaríamos de conservar: nossa vida, nossa dignidade, nossa liberdade, nossa grandeza. Somente aquele que se defronta com as forças obscuras e as aceita, permanece em contato com as próprias raízes e com as fontes de sua força. Tais pessoas não são simplesmente boas ou más. Estão em sintonia com algo maior: sua profundidade”.

Bert Hellinger


DOIS TIPOS DE SABER

Um erudito perguntou a um sábio como as coisas individuais se transformam num todo e como se distingue o conhecimento de muitas coisas da abundância de conhecimento.

O sábio respondeu:

“O que está disperso se transforma num todo quando encontra um centro onde se recolhe e atua.

Pois só por meio de um centro o múltiplo se torna essencial e real.

Então sua plenitude nos parece simples, quase inexpressiva, como uma força tranquila que se aplica ao imediato e permanece subordinada e próxima ao que a sustenta.

Por isso, para sentir ou comunicar a plenitude, não preciso conhecer, dizer, ter, fazer todas as coisas individuais.

Para entrar numa cidade transpomos um único portão. Batendo uma vez num sino fazemos ressoar muitos outros tons.

E ao colher a maçã madura não perguntamos por sua origem: simplesmente a tomamos na mão e comemos.”

O erudito objetou que quem busca a verdade também deve conhecer todas as particularidades.

Mas o sábio o contestou, dizendo que só sabemos muito sobre verdades velhas.

A verdade que faz progredir é ousada e nova, pois oculta o seu fim como  a semente oculta a árvore.

Por isso, quem hesita em agir, querendo saber mais do que o necessário para o próximo passo, desperdiça o que realmente atua.

Ele toma a moeda pela mercadoria, e transforma árvores em lenha.

O erudito achou incompleta a resposta e pediu ao sábio que explicasse um pouco mais.

Mas ele recusou com um gesto, pois a plenitude começa como um barril de mosto, doce e turvo.

Precisa fermentar por bastante tempo até que se torne límpido.

Quem o bebe, em vez de somente prová-lo, fica logo bêbado.

Isso já é o suficiente sobre a diferença entre a psicoterapia científica e a psicoterapia fenomenológica.

Bert Hellinger – livro Conflito e Paz – p. 94


EXCLUSÃO

“Tudo aquilo de que me lamento ou queixo, quero excluir. Tudo aquilo a que aponto um dedo acusador, quero excluir. A toda a pessoa que desperte a minha dor, estou a exclui-la.

Cada situação em que me sinta culpado, estou a exclui-la. E desta forma vou ficando cada vez mais empobrecido.

O caminho inverso seria: a tudo de que me queixo, fito e digo: sim, assim aconteceu e integro-o em mim, com todo o desafio que para mim isso representa. E afirmo: irei fazer algo com o que me aconteceu. Seja o que for que me tenha acontecido, tomo-o como a uma fonte de força.

É surpreendente o efeito que se pode observar neste âmbito. Quando integro aquilo que antes tinha rejeitado, ou quando integro aquilo que é doloroso para mim, ou que produz sentimentos de culpa, ou o que quer que me leve a sentir que estou a ser tratado de forma injusta, o que quer que seja… quando tento incorporar tudo isso, nem tudo cabe em mim. Algo fica do lado de fora. Ao consentir plenamente, somente a força é internalizada. Tudo o resto fica de fora sem me contaminar. Ao invés, desinfecta, purifica-me. A escória fica de fora, as brasas penetram no coração.”

Bert Hellinger


MEU E SEU

“Meu e seu nos diferenciam. Meu e seu também colocam um limite. O que é seu não pode ser meu e o que é meu, não pode ser seu. Precisamos respeitar essa diversidade.

Seus pais não podem ser meus e meus pais não podem ser seus. Sua vida e seu destino e mais tarde a sua morte podem ser somente seus. Você está totalmente sozinho com eles. Eu também estou sozinho perante você com minha vida, meu destino e minha morte.

Contudo, posso respeitar o que é seu como se fosse meu. Posso amá-lo como se fosse meu e desejar que se desenvolva em sua plenitude. Com isso abençoo o que é seu, sem querer nada dele. Através desse respeito, desse amor, dessa bênção você tem o seu ainda mais do que antes. Pertence a você mais do que antes. Você pode estar seguro do que é seu, respeitá-lo e amá-lo mais do que antes e alegrar-se com isso.

Na medida em que respeito o que é seu e me alegro com isso, você se aproxima mais de mim e pode também respeitar o que é meu, abençoá-lo e alegrar-se com isso. O seu aumenta sem que você subtraia algo de mim, assim como o meu também aumenta, sem retirar nada de você. Eu me tornei mais através de você e você se tornou mais através de mim, justamente porque o seu permaneceu sendo seu e o meu, meu.

Meu e seu, quando são reconhecidos, respeitados e amados nos unem.”

Bert Hellinger


MULHER

“Temos que levar em consideração que para mulheres a vida é mais exigente, por causa de seus destinos e de seu papel na vida – assim como a vida por si só – são mais difíceis do que é para os homens.
Portanto, algumas filhas evitam ser uma mulher.
Elas preferem entrar na esfera de seu pai a ficar na esfera de sua mãe.

Mas a única chance de uma menina se tornar uma mulher é na esfera da sua mãe.
E isso ocorre quando ela respeita e honra sua mãe.

Quando muitas gerações são inclusas em uma constelação, uma mulher ganha força através da mulher atrás dela – de sua mãe, de suas avós, de suas bisavós e assim por diante…”

(Bert Hellinger)


1

PAIS DÃO,
FILHOS TOMAM

“Quando os pais olham para trás e vêem de onde provém a vda, de muito longe e se vêem nessa corrente, então são fortes perante as crianças, mas não no sentido de precisar algo ou querer fazer algo, mas se sentem ligados a essa corrente. Então, a criança pode tomar tudo dos pais mais facilmente, porque também se sentem ligados a uma corrente.”
(Bert Hellinger no livro ‘A fonte não precisa perguntar pelo caminho’)

“Os filhos adquirem segurança interior e sentido claro de identidade quando aceitam e reconhecem ambos os pais como são. Sentem-se incompletos e vazios quando excluem um deles, ou ambos, de seus corações. A consequência da exclusão ou desprezo de qualquer um dos pais é a mesma: os filhos se tornam passivos e se sentem inúteis. Eis uma causa bastante comum de depressão.“
(Bert Hellinger no livro ‘A simetria oculta do amor’)

“Essa primeira doação entre pais e filhos é diferente da doação e recebimento de presentes ou favores. Quando os filhos recebem dos pais a vida, tomam o que eles já haviam tomado antes de seus próprios pais. Em certo sentido, os filhos são os seus pais e avós. O amor floresce quando os filhos valorizam a vida que obtiveram — quando aceitam os pais como pais. Tudo o mais de que venham a necessitar para viver pode ser dado por outras pessoas, mas só os pais podem dar-lhes a vida.”
(Bert Hellinger no livro ‘ A simetria oculta do amor’)


3

O RESPEITO

“Um homem que não respeita o seu pai, que acredita, diante de sua mãe, ser melhor que o pai, não respeita as mulheres.
O homem aprende o respeito pela mulher com o pai, e a mulher aprende o respeito pelo marido com a mãe.
Então imaginem só quando o filhinho da mamãe e uma filhinha do papai se encontram e casam.
Não terão respeito um pelo outro. Por isso, primeiro, precisamos colocar em ordem a família de origem, de tal forma que o marido respeite o seu pai e a mulher, a sua mãe.
Muitos problemas de casal podem ser solucionados dessa forma simples.
O filhinho da mamãe não é confiável para a mulher, e a filhinha do papai não é confiável para o marido. Disseram- me que as filhinhas do pai são um pouco mais bonitas – mas isso não leva a nada.”

(Bert Hellinger – Amor a Segunda Vista)


O VÍCIO

@depositphotos.com.ehabedward

“Torna-se viciado aquele a quem falta algo. Para ele, o vício é um substituto.

Como curamos um vício em nós?
Reencontrando aquilo que nos falta.

Quem ou o que falta no caso de um vício? Geralmente é o pai. Ninguém e capaz de sentir-se inteiro e completo sem seu pai. Sendo assim, o vicio e a ânsia de reencontrar o que foi perdido e, com ajuda, sentir-se são e restabelecido. Contudo, por ser apenas um substituto, o vicio não é capaz de satisfazer essa necessidade. Por isso prossegue. E prossegue sem o pai.

Como podemos ajudar um viciado? Como ele pode ajudar a si mesmo?

Ele leva aquilo que foi perdido para dentro de seu vicio, desta forma tornando-o supérfluo.

O vicio mais difundido em nosso tempo é, em muitos países, o fumo. Nem mesmo o fato de estar escrito “fumar mata” nos maços de cigarro assusta a maioria das pessoas. Para elas ainda mais mortal é o sentimento de que algo lhes falta em seu profundo interior.

Como é possível para um fumante levar o pai que lhe falta para dentro de seu vicio?

Primeiramente, o que o ajuda é fumar com prazer, pois seu ato de fumar o conscientiza do quanto sente falta de algo. Quando deseja ou precisa fuma, sente o quanto lhe faz falta, por exemplo, seu pai. Assim que se prepara para tragar o cigarro, imagina seu pai. Então traga a fumaça profundamente em seus pulmões, olhando para seu pai, dizendo-lhe internamente: “ Tomo você em minha vida e em meu coração”. E uma até sentir seu pai dentro de si.

Algo similar vale para o álcool. Aquele que se tornou doente devido a este vicio brinda com o pai antes de beber. Então bebe, lenta e profundamente, sorvendo seu pai, a cada gole até sentir-se preenchido por ele e vivenciá-lo profundamente.

E as mães? Como elas ajudam seus filhos viciados?

Elas reconhecem que, para seus filhos, são apenas uma metade, e nunca a totalidade. Ao invés de manter seus filhos longe do pai, os guiam com amor até ele.

Este movimento começa quando verem e amarem, em seus filhos, também o pai deles, recordando o tempo feliz em que se sentiam em unidade com ele em todos os aspectos. Desta forma, reconhecem seu anseio por ele e se tornam um com ele novamente – e saudáveis.”

(Bert Hellinger – Contido na obra: A cura, 2014, Editora Atman)

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2PARENTIFICAÇÃO

No livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho” Bert Hellinger fala um pouco sobre a parentificação, um movimento dos pais que buscam nos filhos algo que eles (os pais) desejariam ter recebido de seus próprios pais.

“Quando uma mãe, um pai ou ambos os pais se encontram na situação de pessoas que exigem algo que não receberam de seus pais, tendem a buscar uma forma de suprir essa necessidade de afeto no relacionamento homem e mulher ou então no relacionamento com filhos. Ambos são fórmulas fadadas à dor.

Porém, quando há a possibilidade desses pais olhar com honra para seus próprios pais, onde reconhecem o que foi possível receber e o que não foi possível receber, e que de antemão o mais importante foi repassado – a vida – há uma chance de que esses relacionamentos se liberem para sua verdadeira essência.

Assim, um homem procura uma mulher, e não uma mãe. A mulher procura um homem, e não um pai. Pais estão inteiros para prover aos filhos o afeto necessário para seu desenvolvimento, sem desejar algo em troca. Dessa forma, o fluxo saudável do desenvolvimento pode seguir adiante.

Johannes Kaup: Mas isso é extremamente difícil para algumas pessoas, porque possivelmente a mãe não reconhece que deva honrar a própria mãe. Não pode reconhecê-lo, principalmente, porque talvez tenha apanhado dela ou tenha sido menosprezada ou não aceita a própria feminilidade e, por assim dizer, a sua própria história de culpa se baseia numa história de uma culpa.

Bert Hellinger: O senhor reconduz a um relacionamento a dois. Não é um relacionamento a dois. Nem nas famílias nem nos casais existe um relacionamento a dois. São sempre relacionamentos entre sistemas. Se permaneço fixado no relacionamento a dois, não há solução.

Quando duas pessoas se relacionam, elas levam para o relacionamento todas as dinâmicas, conceitos, moral, etc do que compõe seu sistema familiar, inclusive relacionamentos anteriores. Elas não chegam “vazias” para se relacionar. Muito pelo contrário: estão ligadas de forma profunda àquilo tudo que se manifesta na sua rede familiar e vínculos passados. Por isso, considerar que um relacionamento aconteça somente “a dois” é estreitar a visão de tudo que atua verdadeiramente nessa relação. ”

 


RELAÇÃO COM A MÃE

“Nossa relação com nossa mãe continua em nossas relações com outras pessoas. Principalmente em relação com o nosso parceiro e com os nossos filhos. Ela também continua em nosso trabalho e em nossa profissão.
Se, na relação com a nossa mãe, tiver ocorrido um evento que nos tenha separado dela, mesmo que por um curto tempo, permanece uma dor que nos aflige por toda a vida. Ela nos aflige nas relações com outras pessoas e nas expectativas que temos com relação a elas.”

(Bert Hellinger – A CURA – Ed Atman)


RELACIONAMENTO DE CASAL
“O vínculo entre parceiros exige que o homem deseje a mulher como mulher e que a mulher deseje o homem como homem. O vínculo não se estreita completamente quando os parceiros se desejam por motivos diferentes: por passatempo ao adorno, como provedores, por ser um deles rico ou pobre, católico ou protestante, judeu ou muçulmano; porque um quer conquistar, proteger, melhorar ou salvar o outro; porque um quer que o outro seja, sobretudo, pai ou mãe de seus filhos. Parceiros que se juntam com esses objetivos em vista não consolidam uma união capaz de resistir a crises graves. Se o homem continua a ser um filho em busca de uma mãe e a mulher continua a ser uma filha em busca de um pai, suas relações, embora afetuosas, não são relacionamentos de homens e mulheres adultos. As pessoas que estabelecem relacionamentos na esperança, reconhecida ou não, de que ganharão algo que não recebem do pai ou da mãe, estarão, na verdade, procurando pais.”

 

Bert Hellinger


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