Ordens do Amor – As Leis Sistêmicas

Foram descobertas por Bert Hellinger 3 leis universais que agem sobre todos os sistemas: a lei da ordem, do equilíbrio e do pertencimento. Elas agem mesmo quando desconhecemos sua existência e seu conteúdo, devem ser respeitadas para que haja harmonia dentro do sistema.

São “Leis Naturais” que incidem mesmo que não tenha ocorrido qualquer assentimento prévio de vontade. Do mesmo modo que a “Lei da Gravidade” impera em nossas vidas, assim também acontece com as “Ordens” descobertas por Bert Hellinger. Elas estão em plena atividade e alcançam a todos.

Leis do Amor - Ipe Roxo


A primeira é a Lei do Pertencimento
, segundo a qual cada grupo social se mantém vinculado, em decorrência de suas crenças, mantidas pelas normas e pelos vínculos entre os membros:

Hellinger percebeu que cada pessoa está comprometida com o destino do grupo; todo indivíduo está, acima de tudo, muito mais a serviço do seu sistema, do que a serviço do seu próprio querer. (…) também percebeu que quando atuamos em sintonia com o sistema ao qual pertencemos, nossa consciência fica tranquila. Por isso muitas vezes fazemos algo que perante os outros parece totalmente mau, totalmente errado. Entretanto, isso foi feito de “consciência tranquila”, porque quando agimos “igual”, tendo as mesmas atitudes, vivenciando os mesmos valores, nos sentimentos pertencentes e seguros.

Cabe ainda ressaltar que a alma do grupo não tolera exclusões e todos os membros do sistema tem igual direito ao pertencimento. Quando algum membro é excluído do grupo, algum outro membro da família toma seu lugar de modo inconscientemente, vindo a repetir seu padrão. Por exemplo, aqueles que foram vítimas de atos violentos, como estupro, homicídio, latrocínio, perpetrados por membros de uma família, assim como os membros de uma família que foram vítimas de crimes, principalmente, no caso de homicídio, é necessário ter-se a compreensão de que os assassinos também fazem parte do sistema familiar. Caso esse ou esses assassinos sejam excluídos ou rejeitados, em alguma geração serão representados por membros familiares, em decorrência do pertencimento à consciência coletiva.

A segunda é a Lei da Precedência, onde aqueles que chegaram antes, cronologicamente, prevalecem sobre os que chegaram depois. Nessa lei os mais velhos são hierarquicamente superiores aos mais novos. Esta lei define que aquele que entra primeiro em um sistema, tem a prevalência e exerce direitos sobre os que entraram depois, pois dentro de um sistema existe uma hierarquia, uma ordem a ser respeitada e cada um tem o seu lugar, contribuindo para a evolução do mesmo, se estiver no lugar que lhe cabe.

A Ordem é estabelecida pela hierarquia. Descrevemos essa lei da seguinte forma: Quem chegou primeiro, chegou primeiro, quem chegou depois, chegou depois. E nada que venha depois desse ponto final, altera a ordem.

Quando há ruptura da ordem, os posteriores se sentem compelidos a atuar como se fossem melhores que os anteriores, como se diante de situações vivenciadas por esses últimos, houvessem eles mesmos tomado decisões e atitudes “melhores” ou “mais acertadas”.

Hellinger também viu que aqueles que estão mais abaixo na ordem hierárquica, por exemplo, os filhos, não devem se meter nos assuntos dos antecessores.

Todavia quando a hierarquia não é respeitada e a Lei da Precedência é violada, o sistema sofre disfunções graves. Caso alguém não ocupe seu lugar, isso implicará em desordem na sua própria vida e na vida dos outros membros do sistema, e para restabelecer o equilíbrio, é preciso que cada um respeite e tome o seu lugar.

Os relacionamentos humanos têm grande chance de êxito quando em sintonia com esta ordem que a tudo abarca e, como dito, precede. Portanto, só o amor não basta. É necessário estar em concordância com esta Ordem.

Ordem -O fluxo da vida à partir do respeito à hierarquia e à ordem no sistema familiar.
Essa imagem da cascata na qual a água está sempre jorrando, de cima para baixo é como compreendemos a importância do respeito à ordem e hierarquia nos sistemas familiares. A comparação seria da seguinte forma: os pratos mais altos representam os pais e os mais baixos, as gerações posteriores, ou seja, seus filhos e mais abaixo seus netos e assim sucessivamente. Enquanto filhos, ou seja, enquanto pequenos, se permanecermos em nosso lugar, nos preenchemos de todo fluxo de amor, força e bênçãos que transbordam dos nossos pais para nós. Este fluxo é simbolizado pela água que flui do mais alto para o mais baixo. Mas quando saímos do nosso lugar, é como se colocássemos nosso prato acima dos nossos pais, e então deixamos de receber tudo que flui deles para nós. Não porque eles deixam de nos transmitir, de transbordar para nós, mas porque nós nos colocamos acima deles de alguma forma, ou seja, saímos do nosso lugar.
E o que nos faz, na prática, sair do nosso lugar? Todas as vezes que julgamos os nossos pais, que sentimos vergonha deles, que queremos ensiná-los como devem agir ou como deveriam ter sido, quando nos intrometemos em sua relação de casal, quando queremos cuidar deles como se nós fôssemos os seus pais, quando queremos nos vingar deles, quando achamos que sabemos ser pais melhores para os nossos filhos do que eles foram pra nós…. tudo isso nos faz sair do nosso lugar. E os possíveis resultados de sairmos do nosso lugar e desobedecermos a ordem são, em nossa vida prática, os insucessos no relacionamento de casal e na profissão, falências, adoecimentos, dentre outros.
Quando percebemos isso, a solução então é voltarmos para o nosso lugar, com a postura de pequenos diante dos nossos pais. Eles são os grandes, nós somos os pequenos. Eles dão, nós recebemos. Assim o fluxo da vida pode retomar para nós.
(Taimã Salles Massarolo Takeuchi)

A terceira, é a Lei do Equilíbrio. Trata-se do equilíbrio entre o DAR e o RECEBER e está a serviço da troca nas relações. Necessitamos manter esse equilíbrio em nossas relações, pois é no equilíbrio entre o DAR e RECEBER que uma relação encontra harmonia.

As contas familiares e sociais também precisam estar equilibradas, incluindo as partilhas, heranças, dotes; os favorecidos e desfavorecidos; as injustiças. Também fazem parte da família aqueles que tomam o lugar dos que morreram e partiram. Num ‘livro de contas familiar’, é necessário que se mantenha em dia os créditos e débitos, as obrigações e méritos dos membros, sem o que, de geração em geração, se pode ter uma série de problemas.

Assim, toda Alma deseja retribuir aquilo que lhe é ofertado e quando o faz, sempre dá um pouco mais, pois o desejo de retribuir é uma constante em nossa vida. Sentir-se em débito com ou sentir-se credor são movimentos naturais de nossa alma, fazendo com que fiquemos vinculados ao sistema.

Por Márcia Sarubbi Lippmann e Fabiano Oldoni – 22/06/2017
In: Emporio do Direito


As Leis Sistêmicas identificadas por Bert Hellinger em suas observações fenomenológicas, descritas pela Consteladora Elza Vicente de Carvalho

 

Ancestrais

A CONCORDÂNCIA
Um dos maiores ensinamentos da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger é a concordância com as coisas como elas são e da forma como se apresentam para nós. Concordar não é submeter-se cegamente às condições, mas entender que o passado não pode ser alterado e que foi a única forma possível de a vida ter seguido adiante.
Sobre a aceitação ao nossos pais, ao nosso destino e ao nosso passado, Bert nos ensina de forma tão bela e profunda:
“O primeiro ponto é que os pais, ao darem a vida, dão à criança, nesse mais profundo ato humano, tudo o que possuem. A isso eles nada podem acrescentar, disso nada podem tirar. Na consumação do amor, o pai e a mãe entregam a totalidade do que possuem. Pertence portanto à ordem do amor que o filho tome a vida tal como a recebe de seus pais. Dela, o filho nada pode excluir, nem desejar que não exista. A ela, também, nada pode acrescentar. O filho é os seus pais. Portanto, pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim a seus pais como eles são — sem qualquer outro desejo e sem nenhum medo. Só assim cada um recebe a vida: através dos seus pais, da forma como eles são.
Esse ato de tomar a vida é uma realização muito profunda. Ele consiste em assumir minha vida e meu destino, tal como me foi dado através de meus pais. Com os limites que me são impostos. Com as possibilidades que me são concedidas. Com o emaranhamento nos destinos e na culpa dessa família, no que houver nela de leve e de pesado, seja o que for.
Essa aceitação da vida é um ato religioso. É um ato de despojamento, uma renúncia a qualquer exigência que ultrapasse o que me foi transmitido através de meus pais. Essa aceitação vai muito além dos pais. Por esta razão, não posso, nesse ato, considerar apenas os meus pais. Preciso olhar para além deles, para o espaço distante de onde se origina a vida e me curvar diante de seu mistério. No ato de tomar os meus pais, digo sim a esse mistério e me ajusto a ele.
O efeito desse ato pode ser comprovado na própria alma. Imaginem-se curvando-se profundamente diante de seus pais e dizendo-lhes:”Eu tomo esta vida pelo preço que custou a vocês e que custa a mim. Eu tomo esta vida com tudo o que lhe pertence, com seus limites e oportunidades”. Nesse exato momento, o coração se expande. Quem consegue realizar esse ato, fica bem consigo, sente-se inteiro.
Como contraprova, pode-se igualmente imaginar o efeito da atitude oposta, quando uma pessoa diz: “Eu gostaria de ter outros pais. Não os suporto como eles são.” Que atrevimento! Quem fala assim, sente-se vazio e pobre, não pode estar em paz consigo mesmo. Algumas pessoas acreditam que, se aceitarem plenamente seus pais, algo de mau poderá infiltrar-se nelas. Assim, não se expõem à totalidade da vida. Com isto, contudo, perdem também o que é bom. Quem assume seus pais, como eles são, assume a plenitude da vida, como ela é.”
Trecho de uma palestra proferida por Bert Hellinger, em S.Paulo, Agosto de 1999 em original manuscrito. Original: Wie Liebe gelingt. Tradução: Anand Udbuddha (Newton Queiroz) , Rio de Janeiro. Revisão: Mimansa Erika Farny, Caldas Novas. Novembro de 2000

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