Por que escolher o Direito Sistêmico?

A aplicação do Direito Sistêmico para e pelos profissionais do direito e de áreas correlatas, que prestam auxílio às pessoas na resolução de conflitos de interesse e relacionamento, pode dar-se de diversas formas.

Trata-se de uma ciência dos relacionamentos, válida para relações humanas, organizacionais e relações jurídicas em geral, uma vez que toda relação constitui um sistema ou se constitui dentro de um.

Gerações passadas – O estudo dessa ciência amplia a compreensão sobre as dinâmicas ocultas nos conflitos. Cada parte no conflito tem motivos para ter se envolvido nele do modo como fez (seja como agressor, vítima, reivindicador ou devedor), e esses motivos podem ter raízes profundas, que não dizem respeito necessariamente à outra parte no processo, mas sim ao passado familiar de cada um, inclusive de gerações anteriores.

Leis Sistêmicas – Essas dinâmicas ocultas são regidas por leis sistêmicas, que Bert Hellinger (criador das constelações familiares) denominou de “ordens do amor”. São três leis básicas: direito ao pertencimento, ordem de precedência e equilíbrio entre dar e receber. Dessas três derivam inúmeras outras, que podemos observar em qualquer relacionamento – principalmente quando ocorre a crise ou conflito, decorrente da violação de alguma das leis sistêmicas.

As constelações familiares são a abordagem por meio da qual Bert Hellinger descobriu a existência dessas ordens. As constelações podem ser usadas na Justiça para trazer à tona as raízes ocultas do conflito/questão e os caminhos para a pacificação/solução, evidenciando-os de forma tocante e mobilizadora para as partes envolvidas.

Reconhecimento – As leis sistêmicas e as constelações familiares, na abordagem desenvolvida por Bert Hellinger, constituem um instrumento poderoso para sensibilizar as partes de um conflito familiar, conduzindo-as a um reconhecimento mútuo, à amenização das mágoas e rancores e a um efetivo respeito entre si, favorecendo a conciliação e evitando o surgimento de futuros litígios.

Constelações na esfera penal, de infância e juventude, trabalhista, em execuções penais, previdenciárias e outras – Verifica-se que em todos os campos de relações humanas há influências fundamentais da família de origem; questões relacionadas ao envolvimento com drogas, violência, comportamentos antissociais, dificuldades no trabalho e em relação ao Estado também podem ter sua solução potencializada pelas constelações, na medida em que as questões de fundo familiar são “desemaranhadas” e as pessoas se liberam do padrão anterior de postura e comportamento que determinava seu envolvimento naquela situação.

Nas experiências já realizadas, esse trabalho vem mostrando grande eficácia em todas essas áreas.

Constelações Organizacionais – Também relações entre organizações recebem a influência oculta do passado, que inclui fatos ocorridos com os seus fundadores, financiadores e trabalhadores, e pode determinar seu comportamento perante os clientes, funcionários, órgãos governamentais e outras organizações com as quais se relacionam. Isso vale também para a relação do profissional do direito (ou de áreas correlatas) com a Justiça, o Tribunal ou Juiz, a Comarca, os serventuários, os membros do MP, os advogados, os jurisdicionados/clientes e os próprios conflitos nos quais deverá intervir.

Publicado em 10/04/2017 por Sami Storch

In: Por que aprender Direito Sistêmico?

Dr. Sami Storch – Entrevista para o MS Record


Constelação Familiar e Direito:
o novo caminho rumo à paz social

A Constelação Sistêmica Familiar e Organizacional mostra-se uma filosofia que está a serviço da vida e dos relacionamentos humanos e pode ser aplicada em todas as áreas, não sendo propriedade de nenhum ramo específico da literatura.

Trata-se de um modelo que está disponível a todas as áreas que desejam olhar de uma forma ampla e nova para as relações humanas. Sua aplicação exige, até certo ponto, uma completa renúncia ao saber, porquanto possui base puramente fenomenológica.

Significa dizer: uma abordagem que busca a verdade em sua essência, que se direciona à origem da experiência e se expõe à realidade tal como se apresenta, sem intenções ou imagens preestabelecidas. Todo o conteúdo desta filosofia posiciona-se em favor da paz e reconciliação e por esta razão amolda-se de maneira bastante apropriada na tutela das relações jurídicas; afinal, o Direito surgiu para regular as relações sociais e tem como base teleológica proteger nosso “bem maior”: a vida.

A Constelação Familiar e seu alicerce fenomenológico

A fenomenologia pode ser entendida com a expressão: “aceitar as coisas como elas são”. De imediato cumpre esclarecer que esta postura de “aceitação” não deve ser confundida com conformismo. Evidentemente que se exige “estar de acordo”. Porém, vai muito além que uma mera concordância; demanda “aceitar tal como é” e colocar-se em sintonia com a realidade sem quaisquer objeções ou julgamentos. Um assentimento exigente, que concorda com tudo, respeita a verdade que foi revelada e a ela submete-se. E, a partir desta verdade, surge a possibilidade de um novo caminho, talvez antes não previsto ou imaginado, mas que traz uma direção rumo à reconciliação.

Se à primeira vista alguns conceitos parecem demasiadamente filosóficos e até certo ponto complexos, cumpre mencionar que a Constelação Familiar tem sua base puramente empírica; vale dizer: a partir da experiência vivida em sua profundidade e do sentimento que brota desta experiência é que a parte teórica ocupa o seu devido lugar.

A propósito, a preciosidade deste modelo reside no fato de que as soluções se apresentam “por si mesmas”, após cada um experienciar o processo como um todo. Não se trata de algo pensado, imaginado ou que, em última análise, possa ser controlado. Longe disso. Há uma essência que o homem não pode aprisionar apenas para si e por isso a solução que se apresenta serve a todos os envolvidos. Busca-se a verdade que não pode ser vista ou capturada num primeiro instante de forma racional.

Uma solução harmônica toma em consideração não somente as partes envolvidas no processo, mas também todo o complexo sistema que as abrange. É necessário perceber além das aparências; olhar para os fatos e todas as circunstâncias especiais que os envolvem; distanciar-se e expor-se ao todo que se apresenta. Nesta postura a decisão emerge em sintonia com uma “Força Superior” e, por esta razão, espelha ordem e reconciliação.

E como chegamos a esta imagem capaz de dissolver conflitos? Ela se revela a partir de um determinado recolhimento; exige um olhar inclusivo, que abre espaço a tudo e a todos e assim se expõe amplamente à realidade. A partir deste centro se alcança uma decisão equilibrada, que serve e contempla a todos com o mesmo respeito. Cada um recebe apenas o necessário e essencial para seguir adiante em sua própria força. E porque foi olhado com respeito, segue a sua marcha e toma o seu destino.

Este centramento é a postura esperada do constelador/facilitador (aquele que facilita o processo em uma constelação) ou de qualquer pessoa que tenha de orientar, prestar ajuda, ou mesmo exercitar a “arte de julgar”. E por isso esta abordagem enquadra-se de maneira bastante própria a todos os operadores do Direito, estimula cada um a escutar a demanda e olhar para o lugar de cada parte envolvida, além de fomentar a resolução de conflitos por intermédio de alternativas mais efetivas que o processo tradicional.

Encontrar alternativas mais efetivas para a resolução dos conflitos: um grande desafio do Poder Judiciário

A fim de estimular o alcance desta meta, a Constelação Familiar já tem demonstrado excelentes resultados, inclusive com premiação ofertada pelo Conselho Nacional de Justiça. Apresenta-se como uma nova forma de auxílio extensível a todos os operadores do Direito, especialmente aos conciliadores, mediadores e árbitros. Elenca posturas aptas a impulsionar um processo de solução consensual, tais como: atuar sem medo; sem intenção; sem pena (piedade/dó) e sem julgamentos. Desta maneira será possível prestar o auxílio devido e efetivo, quando necessário.

É de se pontuar que no campo jurídico este modelo de solução de conflitos pode ser aplicado de diversas formas, seja no desenrolar do processo ou mesmo antes de seu início, como medida apta a evitar a instauração da lide.

O intuito deste olhar sistêmico é sempre a satisfação plena dos envolvidos. As partes deixam o Judiciário reconciliadas internamente evitando-se, desse modo, a propositura de novas ações judiciais. É preciso olhar com amor e apreço para cada processo, pois ele representa a vida de muito mais de uma pessoa; efetivamente, guarda ressonância com todos aqueles que pertencem ao sistema familiar daquele que buscou o Poder Judiciário.

A Constelação Familiar, com seu olhar sistêmico e postura fenomenológica, auxilia na identificação das situações ocultas (dinâmicas que não estão estampadas à primeira vista na petição inicial e contestação) que interferem diretamente na solução das dificuldades postas em juízo e, por guardarem ressonância à verdadeira entrega da paz social, podem e devem ser objeto de análise por todos os operadores do Direito, especialmente aqueles que atuam diariamente nas lides forenses, tais como magistrados, advogados, procuradores e servidores. É preciso um olhar atento e amplo a todos que buscam o Poder Judiciário no escopo de se encontrar uma solução duradoura, que reconcilie as partes internamente e, ao mesmo tempo, evite a repropositura de novas demandas.

Essa filosofia se revela muito mais ampla que uma simples técnica ou método a ser seguido de maneira exata e categórica. Exige-se uma verdadeira mudança de comportamento, inclusive do próprio facilitador, que necessariamente deve passar por um processo de capacitação para aplicála. Um novo modelo que fomenta e oferece suporte para sedimentação de uma postura interna onde o olhar alcance o ser humano e o respeite exatamente da maneira como ele é. Aplicar o Direito em sintonia com as Leis Sistêmicas traz ordem para os relacionamentos humanos e convida-nos a aceitar o outro com tudo o que lhe pertence. Isto significa que renuncio qualquer desejo de que este outro seja diferente, tampouco busco repará-lo ou impor uma realidade da qual não compartilhe e, principalmente, reconheço-o como uma pessoa digna para arcar com as consequências de seus próprios atos.

Trechos do artigo de Marcos Antonio Ferreira de Castro
In: Revista do TRF3 – Ano XXVIII – n 133 – abr/jun 2017


Revolução sistêmica

O Direito Sistêmico têm início da análise do ordenamento jurídico sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas, com base na ciência das constelações sistêmicas desenvolvidas pelo terapeuta e filósofo alemão Berth Hellinger, que traz 03 leis básicas: direito ao pertencimento; ordem de precedência e equilíbrio entre das e receber, numa verdadeira observância ao complexo chamado vida, em seu aspecto mais amplo.

Assim, observa-se a aplicação dessas leis e de outras que dela decorrem em qualquer relacionamento, com ênfase quando da ocorrência de crises e conflitos que possuem origem na violação de alguma dessas leis sistêmicas.

O Direito Sistêmico, em especial as Constelações Familiares, ganhou espaço no Brasil, junto ao sistema de justiça, através do Juiz Sami Storch, que inclusive ministrou aula no primeiro Curso Básico de Direito Sistêmico do Brasil junto aos Tribunais, estando o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso na vanguarda da aplicação dessa nova visão sistêmica na solução dos conflitos e aplicação do Direito.

O olhar sistêmico amplia a compreensão sobre as dinâmicas ocultas nos conflitos, prestando auxílio às pessoas na resolução desses interesses e relacionamentos que se encontram em um verdadeiro emaranhado, na medida em que ocorre uma conscientização de que cada uma das partes tem motivos para ter se envolvido nessa relação, especialmente ao compreender que esses motivos podem ter raízes profundas, que não dizem respeito, necessariamente, à outra parte do processo, mas sim ao passado familiar de cada uma, inclusive de gerações anteriores que são transmitidas de geração para geração através do DNA.

“As leis sistêmicas e as constelações familiares, na abordagem desenvolvida por Berth Hellinger, constituem um instrumento poderoso para sensibilizar as partes de um conflito familiar, conduzindo-as a um reconhecimento mútuo, à amenização das mágoas e rancores e a um efetivo respeito entre si, favorecendo a conciliação e evitando o surgimento de futuros litígios.” – Porque Aprender Direito Sistêmico? Texto extraído do site http://www.direitosistemico.wordpress.com

Ao observar a vida em sua complexidade e magnitude, através de um olhar sistêmico, deve-se ter como foco não somente a pessoa (parte), mas também seu pai e sua mãe (família); pois cada indivíduo traz em sua estrutura caracteres que lhe foram transmitidos pelos seus ascendestes, e ainda a sua programação neurolinguística, visando reestabelecer o equilíbrio na relação, de modo que ocorra a pacificação em um amenizar do emocional, possibilitando um diálogo em uma verdadeira normalização dos interesses em consonância com as leis sistêmicas.

Exemplos da aplicação do Direito Sistêmico no TJMT temos: o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMEC), que padronizou as oficinas de Direito Sistêmico em todo o Estado; a Primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá/MT e a Terceira Vara Especializada de Família e Sucessões de Várzea Grande/MT em um verdadeiro novo olhar para os conflitos em busca da pacificação da vida em sociedade.

Assim, o Direito Sistêmico tem ganhado cada vez mais espaço entre os operadores do Direito, em um movimento crescente em escritórios de advocacia pelo Brasil a fora e na própria estrutura do Poder Judiciário Nacional.

Por: JAMILSON HADDAD CAMPOS – Juiz de Direito na Primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, mediador em formação, coordenador da Região Centro-Oeste da Escola Nacional da Magistratura (ENM-AMB), Representante da Região Centro-Oeste na Comissão Legislativa no Fórum Nacional de Violência Doméstica (FONAVID) e Coordenador Geral do Comitê Estadual de Enfrentamento a Violência Sexual e Exploração da Criança e do Adolescente
In: Diário de Cuiabá


Comissão de Direito Sistêmico defende uso de Constelações na solução de conflitos

OAB SC sai na frente e cria a Comissão de Direito Sistêmico.
Este é um grande passo, um troféu de destaque ao tema.
É dada a importância que o instituto merece.
Através desta Comissão o assunto será estudado, esclarecido, difundido, serão realizadas palestras aos Advogados, abrir-se-ão novas frentes de trabalho sob este prisma, humanizando o Direito.
Entregando a justiça às pessoas, respeitando o contexto de cada um, ao invés de transformar as pessoas em processos.

Parabéns OAB SC, que sirva de exemplo às demais seccionais do Brasil!

“Difundir o uso das Constelações Sistêmicas para reduzir a judicialização é o objetivo da comissão criada pela OAB/SC nesta semana. Pioneira no Brasil, a comissão de Direito Sistêmico utiliza uma técnica que vem crescendo no País e que trabalha emoções e energias inconscientes na solução de conflitos. Um dos expoentes é o juiz Sami Storch, da Bahia, que vem alcançando um índice de 90% de acordos por meio das constelações. Para a advogada Eunice Schlieck, que irá presidir a comissão, “a técnica é uma nova forma de atuação do advogado”.

Segundo ela, “olhar para a questão de forma sistêmica possibilita ao advogado desenvolver melhores acordos e contratos, além de atender demandas de forma mais efetiva e evitar a judicialização dos casos”. Outro fator determinante nas Constelações Sistêmicas “é promover acordos que preservam as relações humanas”.

A técnica já é aplicada em pelo menos 14 estados brasileiros por diversos juízes. Em Santa Catarina, a magistrada Vânia Petermann a utiliza no Juizado Especial e Vara da Família do Fórum do Norte da Ilha. Mesmo desenvolvida a partir do Direito de Família, a ferramenta percorre todos os ramos do Direito.

As Constelações são utilizadas também em questões que envolvem empresas, seja na relação de sócios e funcionários, seja nas questões contratuais, demarcação de terras, entre outras, trazendo resultados efetivos e promovendo equilíbrio nas relações. As advogadas Juliana Fernandes Foggaça de Almeida (vice-presidente) e Damaris Badalotti (secretária geral) também integram a comissão.”
(Assessoria de Comunicação da OAB/SC – 12/04/2017)

In: Comissão de Direito Sistêmico defende uso de Constelações na solução de conflitos

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