Direito Sistêmico e Alienação Parental

Hellinger: Que idade têm os filhos?
Participante: De 10 a 18 anos. Vivem todos com a mãe e dizem que não querem nunca mais ver o pai.
Hellinger: Certo. Em primeiro lugar, o ódio que sentem pelo pai é, provavelmente, o ódio da mãe pelo pai, não deles próprios. É forte demais para ser ódio de crianças. Mas o fato de assumirem o ódio da mãe não os isenta de suas consequências. Compreendamos de uma vez por todas: tudo o que fazemos traz consequências para nós e para nossos filhos também. Ter justificativa moral para uma ação destrutiva não subtrai essa ação aos seus efeitos, como as boas intenções não atenuam os danos das ações perversas.
Bom seria que os filhos permitissem que a mãe lidasse com seu próprio ódio.
(Bert Hellinger)

A ALIENAÇÃO PARENTAL NA VISÃO SISTÊMICA

O pai ou a mãe, que são grandes perante a criança, em quem ela confia e se entrega por amor, através de atos ou palavras EXCLUI o outro genitor para a criança.
Em separação, em geral, comete quem tem a guarda.
A criança, sem saída e por questão de sobrevivência, faz parceria com o alienador, o que causa sintomas, doenças, não aceitação de si própria (auto-mutilação), pois a exclusão é de metade de quem ela própria é. A criança sente tudo, sente-se partida ao meio, dilacerada.
A criança entende: meu pai/mãe não me ama, não me quer, eu trouxe problemas, eu sou um problema, eu não vou para não magoar minha mãe/pai, se sente puxada pelos genitores, desqualificada. E a criança grita internamente: “Olhem para mim, digam que eu sou certa assim!”.
Na Constelação fica contextualizado: o que acontece lá? Para que esta criança está sendo usada?
A criança está a serviço do sistema familiar, ela está lá para olhar para algo que não está sendo visto.
Os pais, possivelmente estão nos seus emaranhamentos com a própria família de origem, e em geral, também foram alienados.
Na Constelação, ao tomarem consciência, abre-se a possibilidade de rendição na relação entre os genitores, encontram novamente o olhar do outro, o amor por detrás desses emaranhados, liberando a criança dessa luta.
O genitor alienador se vê e pode dizer para o outro ‘SINTO MUITO, agora eu sei o que faço’. Ficam apaziguados.
Assim, a criança terá uma oportunidade, terá certeza que é fruto de amor, poderá olhar para seus pais com amor, se sentirá acolhido pelo pai e pela mãe, integralmente, liberado para construir relações de amor na vida adulta, pois ama integralmente seu pai e sua mãe e foi autorizado a tomar tudo deles, a vida. Não vai precisar repetir este comportamento.
Os adultos precisam cuidar com as HISTÓRIAS que contam, as críticas, os julgamentos, as reclamações, os apontamentos; mesmo quando os pais não se separam, suas histórias alienam muito.

Palestra da Consteladora Elza Vicente de Carvalho


Alienação Parental 2O juiz Sami Storch diz:

“Uma ofensa do pai contra a mãe, ou da mãe contra o pai, são sentidas pelos filhos como se estes fossem as vítimas dos ataques, mesmo que não se dêem conta disso. Sim, porque sistemicamente os filhos são profundamente vinculados a ambos os pais biológicos. São constituídos por eles, por meio deles receberam a vida.

O filho não existe sem o pai ou sem a mãe e, seja qual for o destino que os filhos construírem para si, será uma sequência da história dos pais.

Por isso é que, mesmo que o filho manifeste uma rejeição ao pai – porque este abandonou a família ou porque não paga pensão, por exemplo – toda essa rejeição se volta contra ele mesmo, inconscientemente. Qualquer ofensa ou julgamento de um dos pais contra o outro alimenta essa dinâmica, prejudicial sobretudo aos filhos. O mesmo ocorre quando o juiz toma o partido de um dos pais contra o outro, reforçando o conflito interno na criança.

A solução sistêmica, para ser verdadeira, precisará primeiramente excluir os filhos de qualquer conflito existente entre os pais, para que os filhos possam sentir a presença harmônica do pai e da mãe em suas vidas.”


Mãe ao Pai

AMEI MUITO SEU PAI.
AMBOS OS PAIS:

Toda criança tem dois pais. Para uma criança, é preciso poder amar ambos os pais. Uma criança não compreende por que seus pais se separam. Ela ama ambos da mesma maneira.Entretanto, quando os pais se separam e a criança fica com a mãe, ás vezes ela se torna dependente da mãe em todos os aspectos. Às vezes, tem medo de mostrar que ama o pai da mesma maneira. Ela tem medo de que a mãe fique com raiva e de que, além do pai, acabe perdendo também a mãe. Contudo,secretamente,ela sempre ama o pai.
Quando escuta a mãe dizer que amou muito o pai, pode mostrar à mãe que também ama o pai. Então a criança se sente aliviada.
A mãe aqui entendeu isso bem. Agora a filha pode dizer facilmente que ama o pai e que pode ir até ele também. Lá ela se sentira feliz.
Mãe e filha sorriem uma para outra. A mãe envolve a filha num abraço e a beija.
Ainda estava faltando isso.
Olhando para a alma das crianças
Bert Hellinger

Frederico Ciongoli no programa Brasil das Gerais


Alienação Parental

É notória a intensa rivalidade e o domínio do masculino sobre o feminino, onde as mulheres se encarregam dos filhos e os homens do sustento. Porém, atualmente parece haver uma nova configuração se alinhavando, com as mulheres – ainda que sem iguais condições, mas em grande número – tomando o mercado de trabalho e os homens buscando seu novo papel. O pai agora parece não possuir um lugar nem na família nem na sociedade, pois as mulheres já sustentam seus próprios lares, cuidam da prole, escolhem até mesmo criar os filhos sem a presença do genitor, sendo assim, atualmente este conflito parece buscar novas formas e estes pais e mães sem mais papéis definidos querem interagir em novos ambientes.

Nestes novos tempos, os pais buscam uma maior aproximação com os filhos e as mulheres buscam sua maior independência através de suas carreiras, mas, nem todos estes novos interesses ocorrem no mesmo tempo e no mesmo local, dando origem a diversos conflitos, entre eles, a chamada Alienação Parental que a cada dia ganha mais força ante a ausência de tomada de medidas pelo Judiciário, ainda firmemente calcado na supremacia da genitora, acerca deste tema.

Estas condutas geralmente tem seu estopim após a separação de um casal e a consequente disputa judicial pela guarda dos filhos e alimentos – momento no qual sentimentos como os de rejeição, abandono e raiva são aflorados, sentimentos estes que muitas vezes sequer tiveram sua origem no casamento ou no relacionamento, mas sim em tenra idade, ainda na formação da personalidade do indivíduo. É também bastante comum a presença da alienação ou exclusão de um genitor ainda durante o casamento, são geralmente aqueles pais que buscam a atenção do filho só para si ou um aliado contra o outro genitor.

A Alienação Parental é uma campanha liderada principal, mas não exclusivamente, pelo genitor guardião em desfavor do outro, onde a criança ou adolescente é literalmente programada para odiar, sem justificativas plausíveis, o alienado e/ou sua família, causando assim, uma forte dependência e submissão do menor com o alienante. Este processo é lento e gradual, sendo muitas vezes tão sutil que é quase impossível detectá-lo.

Tal campanha pode se dar de diversas formas, geralmente iniciando com comentários até mesmo inocentes, mas que destroem a imagem do alienado e fazem com que a criança se sinta insegura em sua presença, como por exemplo, o simples fato de amedrontar a criança dizendo para que se cuide e telefonar caso não se sinta bem na outra casa. Ou ainda, criar sempre uma programação melhor no dia da visitação para que o filho realmente não queira ver o outro pai, ameaçar a prole ou mesmo contra sua própria vida quando o filho demonstra carinho e interesse pelo alienado, ou seja, o rol de exemplos é infinito, porém acaba sempre caindo no lugar comum, geralmente o alienante faz parecer estar disposto a colaborar, mas na prática sempre ocorrem situações em que o menor é impedido deste contato. Também acontece, em sua maioria, de forma gradativa sendo classificada em etapas ou estágios, sendo eles o leve, moderado e grave.

A Lei nº 12.318/10 é um grande avanço no sentido de reconhecer esta prática, antes tida como normal, uma vez que o detentor da guarda era praticamente o dono do filho e o visitante se contentava com uma rápida aparição a cada quinze dias, pois assim não atrapalhava sua nova vida. Com medidas que vão de multas à troca da guarda, a Lei da Alienação Parental é muito válida, porém, não muito eficaz, pois sua aplicação ainda é escassa no Judiciário, isto em virtude da falta de preparo, do desconhecimento tanto dos atos quanto das consequências da alienação em uma família, principalmente aos menores, ou ainda em razão do receio de decisões precipitadas ou errôneas em tais casos que muitas vezes são permeados por acusações de abuso até mesmo sexual.

É necessária uma equipe multidisciplinar treinada especificamente para detectar a Alienação Parental e diferenciar a dinâmica das falsas alegações de abuso das reais, pois como se depreende da lição da psicóloga Andreia Calçada[1], em cada sugestão, mesmo com o intuito de ajudar, pode ser acrescido um novo detalhe a uma história inverídica, pois a criança desde muito pequena aprende a ler com clareza os sinais não verbais e faz exatamente aquilo que esperam dela ou aquilo que lhe faça ser mais aceita.

Atualmente os operadores do Direito encontram sérias dificuldades tanto no cumprimento da Lei nº 12.328/10 quanto na própria detecção da Alienação Parental, mesmo tão comentada, tal situação parece não encontrar soluções práticas, apenas mais conflito e mais crianças em situações de desespero como joguetes nas mãos de adultos, sendo imprescindível a busca por novas formas de atuação, seja em terapia, mediação ou na própria conscientização de que a Alienação Parental existe e causa danos gravíssimos aos envolvidos.

Um novo modo de pensar o Direito encontra agora seu espaço, o chamado Direito Sistêmico, cuja principal característica é a visão do indivíduo não de forma isolada, mas sim inserido em diversos sistemas, sendo o primeiro e mais importante, a família, bem como suas relações e interações.

Para tal, utiliza-se de métodos que buscam a raiz dos conflitos e a tomada de responsabilidade por parte dos envolvidos, um destes métodos é a chamada Constelação Familiar – uma inovadora técnica terapêutica fenomenológica breve, mas com efeitos profundos, difundida e aprimorada por Bert Hellinger[2], filósofo, teólogo, pedagogo e terapeuta alemão que ao longo de sua vida detectou três leis ou ordens que regem os sistemas e, tal qual a lei da gravidade, atuam nos indivíduos e suas relações, de forma inconsciente e percebida principalmente por padrões que se repetem.

De forma resumida, estas leis dizem respeito à hierarquia, ou seja, cada um tem seu papel na família; ao pertencimento, no qual todos tem o direito de pertencer ao sistema e por fim, ao equilíbrio nas relações.

A observação destas leis ou também chamadas ordens naturais demonstrou que a sua quebra gera consequências, no caso da Alienação Parental – que é a clara exclusão de um membro familiar, ou seja, ele literalmente perde seu direito de pertencer àquela família – isto implica em uma série de problemas de relacionamento ou mesmo doenças. As crianças por necessitarem deste pertencimento de ambos os pais sofrem uma grande crise de lealdade, além de sentirem esta rejeição como algo pessoal, pois entendem em seu íntimo que são a junção destes dois seres – pai e mãe – no momento que um ataca o outro, para a criança, é a prova de que parte dela não é boa o suficiente e é igualmente atacada, ainda que de forma velada ou indiretamente.

O Direito Sistêmico, ao reconhecer estas ordens naturais observadas por Bert Hellinger, busca detectar em que momento foram quebradas, restabelecendo assim a ordem nos relacionamentos e trazendo alívio aos conflitos por demonstrar suas reais causas, sem buscar culpados, apenas fatos, o que ameniza os ânimos já acirrados por inúmeras acusações e agressões mútuas, facilitando o diálogo entre as partes. Sendo, desta forma, um novo olhar sobre os mesmos problemas, um olhar que inclui ao invés de excluir.

(Ana Carolina Carpes Madaleno)

In: Direito Sistêmico e Alienação Parental


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s