Comunicação Não Violenta ajuda a resolver problemas de forma pacífica

“Nos primeiros dois segundos violência é extremamente eficaz, porque chama a sua atenção. Depois disso é a pior estratégia possível, porque ele corrói a conexão entre a gente que faz todo o resto possível.”

O cientista social Dominic Barter e o desenvolvimento da comunicação não-violenta

Milênio Globo News | 02-01-2017

 

CORAGEM – VULNERABILIDADE – CONEXÃO

“A raiz da palavra coragem é cor, a palavra em latim para coração. Em uma de suas formas mais antigas, a palavra coragem tinha uma definição muito diferente da que tem hoje. Coragem originalmente significava “falar o que se pensa abrindo o coração”. Com o tempo essa definição mudou e, hoje, coragem é sinônimo de heroísmo. Heroísmo é importante e certamente precisamos de heróis, mas acho que perdemos contato com a idéia de que falar honesta e abertamente sobre quem somos, o que sentimos e nossas experiências (boas e ruins) é a definição de coragem. Heroísmo freqüentemente diz respeito a arriscar a vida. Coragem diz respeito a arriscar nossa vulnerabilidade. No mundo em que vivemos isso é extraordinário”. (Brene Brown)


Um dos princípios da Comunicação Não-Violenta é de que nós compartilhamos todos as mesmas necessidades humanas. Por mais diferentes que possamos parecer, todos compartilhamos das mesmas necessidades: pertencimento, segurança, proteção, acolhimento, autonomia, liberdade, amor, entre outras.
E uma diferenciação básica é entre necessidades e estratégias – as maneiras que escolhemos para atender as nossas necessidades. Quando nos apegamos a uma determinada “estratégia” e a vemos como a única possível, estamos a um passo para o conflito com quem usa estratégias diferentes.
Que tal hoje tentar reconhecer nossas necessidades comuns e rever a forma como buscamos atendê-las? Talvez, a partir daí, possamos passar do discurso de ódio (e medo) para o diálogo que cuida e transforma. (Maristela S. Lima)

Optar pela não-violência neste momento é uma resistência ao vale-tudo que está se instaurando. Não-violência não quer dizer passividade e aceitação diante daquilo que é injusto, mas sim a negação da precipitação e fúria no julgamento, negação do ódio. Não-violência tem a ver com negação da nossa arrogância. Não-violência tem a ver com firmeza e insistência no diálogo. (André Gravatá)


CNV  –  Como ter melhores conversas
Em tempos de ofensas sendo destiladas em toda parte, a chamada comunicação não violenta nos ensina a buscar nossa humanidade compartilhada, apesar das diferenças, e a aprender a ouvir

Criada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg nos anos 1960, a comunicação não violenta nada mais é que uma forma de se comunicar que aumente as chances de conexão entre as pessoas. Eu sei. Talvez você esteja meio cético ao ler isso. Talvez esteja pensando, ao ver essa expressão, que isso é uma coisa hippie, em que as pessoas se vestem de branco, dão as mãos e pedem por paz, e nada muda, de fato. Talvez ache que é sinônimo de passividade. Mas as formas tradicionais de resposta que temos não são suficientes para dar conta dos conflitos que vivemos. É hora, talvez, de tentar alguma outra coisa. Aos 9 anos de idade, a família de Rosenberg mudou-se para Detroit, nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, eclodiu na cidade um confronto racial, no qual 40 pessoas foram mortas. No olho do furacão, Rosenberg e sua família passaram três dias trancados em casa. Essa e outras experiências levaram o garoto, quando cresceu, a se interessar pelas causas da violência e o que motiva as pessoas a praticá-la. “Enquanto estudava os fatores que afetam nossa capacidade de nos mantermos compassivos, fiquei impressionado com o papel crucial da linguagem e do uso das palavras”, escreveu Rosenberg em Comunicação Não-Violenta: Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais (Ágora), livro-referência para quem quer se aprofundar no assunto. O psicólogo foi buscar na ahimsa – a não violência – de Gandhi os princípios para uma nova abordagem de  comunicação. E Gandhi, como se sabe, não era nada passivo: por meio de protestos não violentos e de desobediência civil, como greves, boicotes a produtos ingleses e marchas, ele conseguiu liderar o país rumo à independência. A comunicação não violenta se baseia na ideia de que, quando falamos, estamos sempre expressando necessidades profundas, compartilhadas pelos outros. Toda pessoa, seja de direita ou esquerda, homem ou mulher, religioso ou ateu, tem necessidade de abrigo, segurança, alimento, amor. Também precisamos de reconhecimento, carinho, aceitação, pertencimento, intimidade, liberdade, entre muitas outras coisas. Não é fácil olhar para alguém que acaba de nos ofender e ver ali uma pessoa como nós, com necessidades semelhantes. Mas, se queremos realmente causar mudanças, precisamos tentar. “Respeito significa olhar de novo”, diz o especialista em CNV Dominic Barter, inglês radicado no Rio de Janeiro, ao explicar a origem da palavra. “Re” significa que algo vai acontecer de novo; “spect” significa ver. “Em um primeiro contato com outra pessoa, a primeira coisa que notamos são nossas diferenças”, diz ele. “Notamos como a cor da pele é diferente, as roupas, as opiniões. Para ouvir respeitosamente, precisamos olhar outra vez, com mais cuidado, e procurar não aquilo que nos diferencia, mas o que nos une”, afirma ele, que há décadas ensina e aplica a comunicação não violenta em diversas regiões de conflito do globo, inclusive em presídios brasileiros e nas favelas cariocas. Observar com neutralidade “Para além das ideias do certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá”, escreveu o poeta sufi Rumi. Quando nos damos esse tempo para perceber o outro, podemos ver as coisas com mais clareza, evitando os julgamentos de valor. Segundo a comunicação não violenta, é importante reconhecer a diferença entre observação e avaliação. Isso porque, quando julgamos a ação do outro, a tendência é que ele sinta aquilo como uma crítica. Ora, o ser humano não gosta de ser criticado; em vez de refletir sobre o que dissemos, sua tendência será se defender. E, assim, a comunicação se rompe. As observações ditas ao outro devem ser específicas da situação, se referindo àquele ato e não à pessoa. “É diferente eu dizer ‘Aquele desgraçado acabou com a vida da família inteira’ e falar ‘Ao sair de casa e usar drogas, aquele homem provocou uma reação de tristeza e desesperança, segundo o relato dos familiares’”, exemplifica o psicólogo Frederico Mattos.  Fácil não é. Muitas vezes, embutimos um julgamento, sem perceber. “Você SEMPRE esquece a luz acesa!” pode parecer uma frase neutra, mas o “sempre” traz uma carga acusadora, que pode não corresponder à verdade. Dizer “Nas últimas quatro vezes em que reparei, você deixou as luzes acesas” é mais objetivo e tem mais chances de não ser recebido como crítica. Depois dessa formulação, é hora de observar as emoções que essa situação causa em você. Tristeza? Raiva? Vergonha? Fazer isso é mais complicado do que parece. Afinal, não fomos treinados a prestar atenção em nossas emoções; pelo contrário, ouvimos a vida toda que elas nos atrapalham. O psicanalista Rollo May afirma que uma pessoa madura é capaz de diferenciar as muitas nuances dos sentimentos. Algumas experiências são fortes e apaixonadas, outras, delicadas e sensíveis, tais quais os trechos de uma sinfonia. Para a maioria das pessoas,  porém, ouvir os próprios sentimentos é como ouvir as notas de um clarim. Não temos vocabulário para expressar o que se passa conosco. Quando colocamos nossos sentimentos na mesa, nos abrimos para o outro, deixamos que ele enxergue nossa vulnerabilidade. E isso pode ser transformador. Mesmo que o outro não verbalize, podemos tentar perceber, por trás de seus gritos e acusações, as suas verdadeiras emoções. A mãe que critica a filha pode estar apenas se sentindo sozinha. O filho que tira notas baixas pode estar tendo problemas na escola. O tio que pede a volta da ditadura pode estar expressando seu medo da violência. Somos como crianças que, com fome, frio ou sujas, reagem do único jeito que sabem: chorando. A raiz dos sentimentos Quando você descobre a emoção que sente quando algo acontece, tem pistas muito valiosas sobre aquilo que a causou. “Onde há fumaça, há fogo”, diz Barter. “Nossas emoções são um sinalizador de nossas necessidades humanas básicas: se elas estão sendo atendidas, nos sentimos bem, gratificados. Se estamos mal, ficamos apreensivos, com raiva”, diz ele. Aqui também a comunicação não violenta propõe uma mudança na forma de encarar os problemas. Por essa abordagem, as ações dos outros podem ser um estímulo, mas não a causa de nossas frustrações. “As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem”, disse o filósofo grego Epicteto. Digamos que seu namorado desmarque um compromisso de última hora. Se você está ansiosa por encontrá-lo, a sua sensação imediata poderá ser de raiva. Mas, se você teve um dia cansativo, talvez receba a notícia com bastante alívio. Tudo depende, enfim, do que esperamos. Claro que não é possível deixar de ter expectativas e valores. Isso é o que nos faz únicos afinal. Mas, quando pensamos que cada pessoa tem suas próprias noções de certo e errado, fica mais fácil entender que, no mundo delas, aquilo que nos parece tão abominável e injustificável pode ter sua razão de ser. Uma pessoa extremamente religiosa pode achar que agiu de maneira correta ao expulsar o filho ou a filha gay de casa, por exemplo. Nós não precisamos concordar com isso, mas podemos ao menos entender de onde aquela atitude vem. Quando percebemos isso, fica mais fácil não ser afetado por essas questões. Ao mesmo tempo, ganhamos força para dizer com todas as letras, de forma não violenta, por que aquele ato nos magoa. Ironicamente, quanto mais não acusadores somos na expressão de nossas necessidades, mais fácil é tê-las atendidas. Pedir e se posicionar Entender o ponto de partida do outro não significa ser passivo. Nem, simplesmente, mostrar a outra face, e deixar que a violência ou abuso, se for o caso, persista. Na comunicação não violenta, todos os envolvidos – seja um casal em crise ou líderes de etnias em guerra – colocam suas emoções e necessidades na mesa, e isso tenta ser conciliado. Você pode fazer um pedido, por exemplo. “Filho, fico preocupado quando você sai e não dá notícias. Quero que você se divirta, mas será que você pode mandar uma mensagem para avisar que está bem?” É importante formular o pedido diretamente, da forma mais clara possível. Prefira dizer o que quer, e não o que não quer. Em seu livro, Rosenberg conta a história de uma mulher que disse ao marido “Gostaria que você passasse menos tempo no trabalho”. Algum tempo depois, ele anunciou a ela que tinha se inscrito em um curso de golfe. Também vale lembrar que o pedido não pode ser uma exigência. Se a pessoa sentir que é uma cobrança, só tem duas alternativas: se submeter ou se rebelar. Nas duas, a pessoa que pede é vista como coercitiva, e isso diminui as chances de o pedido ser atendido. Como diferenciar as coisas? Simples: na reação caso a pessoa decida não nos atender. Se o pedido não for atendido, continua-se a conversa até chegar a uma solução que agrade a todos. “A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”, escreveu Rosenberg. Para isso, é fundamental esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser. E isso é difícil: requer se despir de ideias preconcebidas, estar plenamente disponível para entender as razões do outro. “A agressividade dos outros se  alimenta de um temor de não ser visto, reconhecido, amado, considerado”, diz Mattos. “Ela é um pedido desesperado por atenção.” Em geral, em vez de escutar, queremos logo dar conselhos, encorajar, contar histórias semelhantes. Antes disso, porém, é importante dar tempo para que a pessoa se expresse, dizendo tudo o que está entalado. E  isso pode demorar um tempinho. Não tente apressar: apenas ouça. O foco deve ser sempre na mensagem do outro. Se alguém diz: “De que adianta conversar com você? Você não entende nada!”, não leve para o pessoal, nem se defenda. Pergunte: “Você está infeliz porque gostaria de ser escutado?” Repita para a pessoa o que você acredita ser a emoção ou necessidade dela. Ela poderá então confirmar e se sentir, assim, mais escutada. Passamos a vida toda reagindo a conflitos de maneira não compassiva. Isso não vai mudar de uma hora para outra. A comunicação não violenta é um músculo que precisa de exercício. Tentar analisar sem julgar, perceber nossas emoções e necessidades, tudo isso pode ser treinado. Ao tentar praticá-la, vá no seu tempo. Afinal, à medida que oferecemos empatia aos outros, devemos também fazê-lo por nós mesmos, tendo paciência por nossas ações, nossos processos. Aos poucos, iremos perceber o poder transformador de se comunicar com mais respeito. E aí quem sabe conseguiremos, se não entender de onde vem tanto ódio no mundo, ao menos contribuir para que em nossas relações as coisas possam ser um pouco diferentes.

JEANNE CALLEGARI  é escritora e jornalista. Foi editora-assistente de vida simples até 2014. Acredita no potencial do diálogo e da escuta.
In: Revista Vida Simples


Práticas compassivas: o que a mediação de conflitos pode ensinar à advocacia?

“Que nós nos tornemos a mudança que buscamos no mundo” (Mahatma Gandhi)

Durante muito tempo, os litígios foram massivamente decididos pelo Poder Judiciário, em que a voz das partes é silenciada e convertida em pedido jurídico firmado pelo advogado[1]. Hoje, contudo, diante do reconhecimento dos meios consensuais para tratar conflitos, garantem-se às partes o direito de terem voz, de sentirem e de expressarem uns para os outros os sentimentos envolvidos na controvérsia. Algo que a burocracia, que envolve o meio tradicional de composição de conflitos, não permite[2].

A mediação é uma dessas formas consensuais de tratar os conflitos: uma maneira de fazer cotidianas as possibilidades de decidirmos as prioridades das nossas vidas e dos nossos relacionamentos[3]. Com a ajuda de um mediador, que facilita a comunicação entre as partes, tal técnica auxilia os envolvidos a encontrarem saídas proveitosas para suas controvérsias. Ela tem tido boa aceitação pelos usuários do sistema de justiça: 80% considera excelente a atuação do mediador para atender seus interesses, segundo dados disponibilizados pelo TJ/DF[4].

A mediação é conhecida pelo modo empático e compassivo de compor os conflitos. Incentiva a empatia porque permite que seja conhecida e considerada a perspectiva da outra parte para a construção da decisão. Promove a compaixão, pois diante do sofrimento do outro manifesta-se a ação cooperativa em que as partes colaboram para encontrar possíveis soluções.

Diferentemente do que ocorre na mediação, no âmbito do processo judicial (que se destaca pelo comportamento competitivo da relação ganha-perde) a forma compassiva de abordar os conflitos não encontra espaço. Uma das explicações possíveis diz respeito ao reconhecimento tardio dos meios não adversariais nas faculdades de direito, que negligenciaram todo o conhecimento que envolvia o consenso, como a empatia, a escuta ativa e a comunicação não-violenta (ou compassiva).

Agora, diante do cenário fértil de incentivo às técnicas não adversariais, inspiradas na mediação, propõem-se práticas compassivas na advocacia, que podem ser entendidas como um conjunto de condutas comprometidas com o consenso, que envolvem o falar e o escrever (ativas), e o ler e o escutar (passivos). Tais práticas promovem um modo compassivo de comunicação para abordar os conflitos e inspiram ações menos burocráticas, porém mais atentas às necessidades e aos sentimentos das partes.

A “comunicação compassiva” ou “comunicação não-violenta” é uma forma de comunicar criada por Marshall Rosemberg, que tem por objetivo despertar a compaixão natural nas pessoas. Ela auxilia os envolvidos em conflitos não só a reformularem a maneira pela qual se expressam, mas também como ouvem os outros[5]. Envolve uma linguagem que aumenta a disposição do outro em cooperar, permitindo que se construa com ele uma relação de confiança.

Muitas vezes, até mesmo sem perceber, os advogados expressam seus sentimentos particulares em suas manifestações processuais, com a utilização de argumentos como “vem agora o autor com firulas e devaneios defender seus direitos”, quando poderiam usar a comunicação compassiva (ou não-violenta), reformulando a frase para algo como “o autor deixou de apresentar provas que sustentem suas alegações”. As duas formas podem ser manejadas; a segunda, porém, incentiva novos modos de se articular com o outro, sem julgamentos.

A forma de comunicação promovida pelas práticas compassivas, além de prevenir futuros conflitos, tem o compromisso de não ampliar a gravidade daqueles já existentes. Ou seja, trata-se de uma atuação profissional que procura dar respostas éticas satisfatórias, em que o advogado procura ser o mais útil possível para a resolução dos problemas que lhes são apresentados.

As exigências do mercado de trabalho jurídico, com a inserção dos meios consensuais no CPC/2015, inclusive como possibilidade de suspensão do processo para que as partes negociem por um período de tempo, exige uma nova formação do jurista. Impõe também à educação jurídica explorar o potencial dos (futuros) profissionais, de suas forças e virtudes, dentre as quais se destaca a empatia e a compaixão. O advogado, como procurador, deve ser um peregrino em territórios desconhecidos, em busca de uma nova e permanente formação.

As partes desejam respostas efetivas para seus conflitos e alívio para seus sofrimentos. Se não puderem decidir por si mesmas, escolherão como via de resolução de conflitos o processo judicial. Para que este seja o locus da cidadania inclusiva[6], tanto as manifestações processuais dos advogados quanto as decisões judiciais precisam se desamarrar das narrativas que fazem das crenças jurídicas um conto de fadas normativo, com personagens despersonalizados e reduzidos pelo senso comum teórico dos juristas a um conjunto de chavões[7].

Para que as práticas compassivas encontrem lugar também no processo judicial, o advogado precisa se comprometer definitivamente com o consenso e em incentivar os meios não adversariais em todos os âmbitos e instâncias, pautando sua atuação em condutas sem violência ou agressão. A mediação de conflitos, conforme visto, pode ensinar muito à advocacia.

Por Juliana Ribeiro Goulart – 19/06/2017
In: Empório do Direito

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