Mediação Sistêmica

3Atendimento personalizado com as pessoas interessadas na Mediação de seu conflito, aplicando o olhar Sistêmico ao indivíduo e à questão como um todo.

Na mediação sistêmica, o mediador olha o contexto amplo de todos os envolvidos: a história da família de origem de cada um, identifica a interação entre os sistemas familiares, traz a tona os emaranhamentos ocultos, vê onde ocorreram infrações às leis sistêmicas que geraram o conflito atual; trazendo à luz o pano de fundo da situação conflituosa, para dar clareza e direção ao processo de reestabelecimento da harmonia à questão trabalhada.

Conflito

As leis sistêmicas são leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas, chamadas de “Ordens do Amor”, foram identificadas pelo alemão Bert Hellinger e são a base de sua proposta de trabalho chamada Constelação Familiar. É uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica, desenvolvida após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo, buscando o diagnóstico e solução de problemas e conflitos.

(Aula na Associação dos Advogados de São Paulo AASP – ministrada pelo Dr. Frederico Ciongoli. TEMA: Constelação aplicada à Mediação privada – cáucus. Porque aplicar a constelação na reunião privada – cáucus ? A constelação identifica a RAIZ do conflito em uma única intervenção?)


Como funciona a Abordagem Sistêmica

Consteladora Elza Vicente de Carvalho


É terapia?

Casal Terapia -

Imagem: amenteemaravilhosa.com.br/terapia-de-casais/

No contexto mediativo, não necessariamente, apenas indiretamente.

Apesar das Constelações Sistêmicas serem uma abordagem de psicoterapia fenomenológica, e o resultado proporcionar nuances terapêuticas no que toca ao autoconhecimento alcançado, cura de padrão e mudança de comportamento; vejo que a aplicação das Constelações no ambiente jurídico não traz o vínculo da relação cliente/terapeuta.

Entendo que o terapeuta é alguém preparado para dar acompanhamento no destrinchar daquilo que se revelou na Constelação, dar suporte e direcionamento às efervescências emocionais que virão em seguida.

Existem pessoas que precisam deste suporte, e também quem não. Quem sentir necessidade deverá trabalhar esse conteúdo com seu terapeuta de confiança.

Apesar da Constelação ser uma terapia breve e resultar em uma imagem de solução contundente, a mudança apontada requer uma determinada musculatura psicoemocional que para alguns a ajuda de um personal treiner especialista em psique pode significar um avanço mais eficaz nesse sentido.

Para outras pessoas, a grande maioria, a imagem de solução é tão impactante que a mudança é instantânea, faz-se necessário a sustentação dessa mudança no decorrer dos dias, porque hábito para ser mudado precisa de determinado esforço, atenção e atitude. Mas é possível sozinho.

Já para o mediador sistêmico, em sua formação, a prática das Constelações foi sim terapêutica. Imprescindível resolver suas questões pessoais para desenvolver a postura sistêmica e se tornar um profissional de ajuda e facilitador nessa área. Caso contrário, será cego para as questões dos clientes de mesma natureza que a sua e não será capaz de auxiliá-los nessa solução.


 

O Mediador com uma Postura Sistêmica inclui todos, dá um lugar em seu coração para todas as partes envolvidas e o sistema completo de cada um.

Não julga, não faz aliados, não se indiguina.

A Indignação

Quando nos tornamos indignados sobre uma situação qualquer, parece que estamos do lado do bem e contra o mal, do lado da justiça e contrário à injustiça. Parecemos então ser aquele que intervém entre o agressor e sua vítima de modo a impedir um mal maior. Contudo, pode-se também intervir entre eles com amor, e isso seria, com certeza, melhor. Assim, o que o indignado quer? O que ele realmente obtém?

O indignado se comporta como se ele próprio fosse uma vítima, embora não seja. Ele assume o direito de exigir uma reparação do agressor embora nenhuma injustiça tenha sido feita, pessoalmente a ele. Ele assume a tarefa de advogado das vítimas, como se ele tivesse dado a ele o direito de representá-las; e fazendo assim, deixa as verdadeiras vítimas sem direito.
E o que faz o indignado com esta pretensão? Ele toma a liberdade de fazer coisas más aos agressores sem medo de qualquer consequência ruim para sua própria pessoa; pois suas más ações parecem estar a serviço do bem, e assim elas não temem qualquer punição. De modo a manter sua indignação justificada, tal pessoa dramatiza tanto a injustiça sofrida pelas vítimas quanto as consequências das ações da parte culpada. Ela intimida as vítimas a verem a injustiça pelo mesmo modo com ela mesma vê. De outro modo, caso as vítimas não concordem, tornam-se suspeitas e alvo de uma indignação justificada ,como se elas mesmas fossem agressores.
Da perspectiva da indignação é difícil para as vítimas deixar seu sofrimento ir embora, e é difícil para os agressores deixarem sua culpa ir embora. Se às vítimas e aos agressores for permitido encontrar uma resolução e uma reconciliação por seus próprios meios, elas podem se permitir, uma a outra, um novo começo. Mas se a indignação entra em cena, tal resolução é muito mais difícil, pois o indignado, geralmente, não fica satisfeito até que o agressor tenha sido completamente destruído e humilhado, mesmo que isto, ao ser feito, intensifique o sofrimento das vítimas.
A indignação é em primeiro lugar uma questão de moralidade. Isto quer dizer que o indignado não está realmente preocupado em ajudar outra pessoa, mas comprometido com uma certa demanda para a qual ele se proclama o executor. Deste modo, ao contrário de alguém que ama, tal pessoa não conhece nem contenção, nem compaixão.
Nós estamos liberados do mal quando podemos, serenamente, deixá-lo ir

(Bert Hellinger)

 

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